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A fotografia como arte contemporânea / workshop EBA-Ufba

 

O cenário artístico se encontra largamente povoado pela fotografia. Nas ultimas décadas, um numero considerável de fotógrafos se tornaram figuras de grande destaque na arte contemporânea. Por outro lado, artistas que antes trabalhavam com mídias mais tradicionais, incorporaram a fotografia como mais uma possibilidade de expressão criativa. Nada é por acaso: a fotografia é a forma de expressão mais que perfeita para a cultura atual por sua versatilidade, por sua agilidade e facilidade de acesso, assim como pelas infinitas possibilidades estéticas que o médium oferece.

ÍNTIMO IMPESSOAL é uma mostra heterogênea, produzida pelos alunos do workshop A Fotografia como Arte Contemporânea, ministrado por mim, na Escola de Belas Artes da Ufba, durante esse verão. As discussões realizadas, todas no sentido de produzir consciência, distanciamento e inspiração que gerassem um trabalho novo, resultaram numa mostra cheia de vitalidade, tanto no que diz respeito a imagens e conceitos quanto a escolhas, display e possibilidades de diálogo com o público.

Essa mostra, reunindo alunos de diferentes níveis e procedências, tão rica e incoerente como deve ser a arte fotográfica atual, oferece um panorama vibrante de uma nova geração de artistas que desponta na Bahia. A exposição ÍNTIMO IMPESSOAL também celebra o vigor da fotografia, que avançou muito mais rapidamente que a nossa visão majoritariamente regionalista, ainda presa às maneiras clássicas e folclóricas de representar os símbolos da nossa cultura.

Importante registrar, por fim, que os precedentes da fotografia atual não deixam de ser referências de dentro da história da fotografia que continuam a ecoar com força particular na prática contemporânea: o retrato, a cor, o espaço, a paisagem, os ícones, etc. No entanto, a contemporaneidade inclui a devassa do íntimo, a desmistificação da pose, uma visão particular da sociedade ou ate mesmo a sua recriação.

Como essa mostra também revela, a fotografia artística contemporânea aponta para a emergência da criação de novos símbolos ou até, de um ponto de vista mais radical, da sua completa abolição. Tudo isso envolvido pela liberdade absoluta, conseqüência da queda da fotografia como testemunho e prova, resultado do declínio da era analógica em favor da era digital.

Parabéns ao grupo!

Neyde Lantyer
(orientadora do workshop e curadora da exposição)

Coordenação: Edgard Oliva

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