logo

“Panorama Emergente da Fotografia Brasileira” TALKS ON PHOTOGRAPHY w/ José Afonso Silva Jr.

 

 

Conversas sobre Fotografia / Talks on Photografia “Panorama Emergente da Fotografia Brasileira”

Boa tarde, meu nome é Neyde Lantyer. A maioria das pessoas aqui me conhece como produtora cultural, mas eu tambem sou fotógrafa há 20 anos, fiz artes plásticas, trabalho desde 2004 com restauração fotográfica de grandes arquivos institucionais holandeses, dou aulas sobre a fotografia como arte contemporânea e criei recentemente uma plataforma online de fotografia, a Fotografia&Cultura, que faz um recorte da fotografia baiana.

Eu quero agradecer o convite de Claudia Oliveira e Teatro Munganga para dizer algumas palavras, introduzindo à palestra do Professor José Afonso Silva Jr. José Afonso é de Recife. Jornalista, Fotógrafo, e Doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea, com ênfase nas relações entre a Fotografia e as Novas Tecnologias. Ele vai traçar p/nós um panorama da fotografia brasileira atual e eu quero elogiar a iniciativa.

Confesso que estou bastante curiosa sobre o recorte que ele está nos trazendo pois este é, de fato, um momento extremamente interessante p/a fotografia no nosso país! Em mais ou menos uma década o Brasil entrou em um fluxo mto rico e mto vigoroso, de fotografia autoral com aspirações artísticas. Temos visto nascer eventos, instituições, premiações, blogs, publicações e artistas nos 4 cantos do país. A discussão da fotografia floresceu bastante nesses últimos anos e muito rapidamente. Bem diferente do momento em que eu saí do Brasil, no final dos anos 90 e sobre isso que eu quero falar.

Comparando ao que já vinha acontecendo nos chamados grandes centros do mundo, este movimento chegou um pouco tarde ao Brasil. Na verdade, os 90 foram uma década crucial para a fotografia no mundo inteiro com as transformações q tiveram lugar por um lado, com o advento das mídias digitais como fenômeno de massas e, por outro, pelo status que a fotografia veio a ocupar como arte dominante nos museus, galerias, bienais e no universo da arte, algo impensável em décadas anteriores.

A chamada fotografia contemporânea (na verdade o conceito é bastante amplo e engloba um leque de práticas, como a fotografia interligada à outras mídias e técnicas, a utilização das tecnologias digitais, os trabalhos conceituais, e tambem o resgate dos processos analógicos e da memória do médium, os processos autorais, enfim as experimentações e todo tipo), já estava em um processo intenso de gestação nos grandes centros (EUA, Europa, Japão), enquanto que no Brasil os mesmos anos 90 foram uma espécie de limbo para a fotografia* e vários fatores levaram àquele estado de coisas:

1 – O principal deles era a própria legislação do país já que até a primeira metade dos anos 90 o Brasil era fechado à importações, nós não tínhamos acesso à equipamentos e importa-los era extremamente caro e complicado;

2 – Pouco se viajava (crise econômica) e sem mobilidade as trocas ficam menos ricas;

3 – A informação tambem se dava de forma bem diferente da que se dá nos dias de hoje, depois do advento da internet, que mudou tudo!

A minha vivencia da fotografia no Brasil se dá justamente nessa intercessão, quando lá as coisas pareciam* estagnadas, o extremo oposto acontecia, por exemplo, na Holanda, onde eu vim parar em 1998. Quando eu cheguei aqui a impressão que eu tive é de que todo mundo fazia fotografia* e isso me causou grande impacto! Ainda na era analógica, dava mesmo

a impressão de que aqui a fotografia era uma prática extremamente democrática. Em todos os prédios onde eu vivi havia alguém com laboratório PB, alguém q fazia fotografia e aquilo tudo era muito novo para mim. No Brasil era tudo muito solitário, raras eram as pessoas que tinham laboratórios e o debate praticamente inexistia ou era bastante limitado.

Embora tenha migrado, eu continuei a dar aulas à artistas e fotógrafos no Brasil e, na minha experiência, até mais ou menos 2008, o desejo de se fazer fotografia a partir de um novo paradigma era muito nítido mas ainda carecia de estruturação. O fato é que todos os processos, questionamentos e experiências já estavam rm curso com a era digital a internet e as novas tecnologias, o acesso e a simplificação do processo, com a criação de cursos de fotografia nas universidades e o fato de instituições como a FUNARTE e o SESC terem criado núcleos de fotografia (qdo se começa a institucionalizar da disciplina), entre outros fatores.

A mim me parece que é um processo ainda é bastante novo, bastante recente, e está longe de atingir uma maturidade. Ou seja, é um campo extremamente fértil com espaço p/mtas coisas acontecerem. E por último, mas não menos importante, penso que ele se conecta ao novo momento por que passa o Brasil, aos novos atores sociais q surgiram a a partir do governo Lula e da gestão Gil-Juca na cultura, abrindo múltiplas possibilidades em campos que estavam fechados e reprimidos. Dou as boas-vindas ao professor José Afonso Silva Jr.

Por Neyde Lantyer

 

 

Comments are closed.