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Por Eliza – exhibition at MAB


Alemanha 1810

Ludwig van Beethoven compôs “Für Elise”, a peça romântica por excelência do repertório clássico, uma das composições eruditas mais conhecidas de todos os tempos. Elise, por quem a música foi nomeada, nunca foi identificada. Seria Elise um romance secreto que não podia – ou não desejava – ser reconhecido por ela mesma ou pelo autor?

Brasil 2010

Eliza Samúdio foi assassinada e esquartejada aos 25 anos de idade pelo namorado, um famoso jogador de futebol. A vida de Eliza foi tirada enquanto ela embalava seu bebê, filho do assassino. Eliza não apenas teve a vida aniquilada como também teve o corpo dizimado e, segundo testemunhas, ofertado aos cães. Após 5 anos na prisão, o namorado-perpetrador foi libertado e liberado para retomar sua vida, inclusive para viver novos relacionamentos (e recomeçar sua vida “romântica”). Os restos torturados de Eliza nunca foram encontrados.

Eliza é uma das tantas e tantas e tantas mulheres assassinadas no Brasil pelo parceiro “amoroso” e seu caso simboliza a escalada da violência contra o sexo feminino no nosso país. Este trabalho tem a intenção de confrontar feminicídio com romantismo e sugere uma reflexão sobre a recorrência escandalosa do assassinato de mulheres pelo parceiro íntimo, sinalizando o fracasso de uma das maiores lendas da sociedade patriarcal: o mito do amor romântico. Dessa forma, o título desta instalação poderia ser também por Sônia, por Eloá, por Mércia, por Luiza, Claudia, Carla, Denise, Araceli, Luciana, Juliana, Maria, Daniela, Julia, Sandra, Marlene, Amélia, Jussara, Ângela, Benigna, Eliane, Nathali, Maristela, Margot, Amanda, Isamara, Maria do Carmo, Marisa, Mônica, Claudia, Aída, Maria da Conceição, Daiane, Maridalva, Stefhani……………………

O jardim trágico

A alegoria do jardim é uma promessa de deslumbramento e todo jardim remete ao Jardim do Éden, um símbolo do paraíso na Terra, um lugar de paz e de beleza, uma utopia, uma quimera. Entretanto há tambem no jardim, como na vida, aspectos misteriosos e obscuros e uma beleza transbordante mas  contraditória, contendo tambem o lado que fere e aniquila.

A instalação “Por Eliza” é um jardim sombrio, simbolizando o sonho e o encontro com a tragédia e a aniquilação, que é o destino que tem encontrado as mulheres assassinadas pela machismo e pela sociedade patriarcal.

 

Neyde Lantyer, 2017.

“Ocupação Jardim”

Museu de Arte da Bahia

10/01/2018 a 23/02/2018

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